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Pontos de Vista

Sopa de Cebola

Joyce Suttin
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Eu estava passando por tempos difíceis na faculdade. Os cursos não eram difíceis e eu gostava dos meus estudos de Literatura Inglesa. O que me incomodava era a mudança radical que a vida na cidade grande representava em relação à vida protegida que tive na minha criação em uma cidadezinha no interior do estado de Nova Iorque. Eu estava academicamente preparada, mas, emocionalmente não. Nem era “esperta” o suficiente para me virar sozinha naquele novo ambiente.

Houve também alguns momentos assustadores. Eu adorava fazer longas caminhadas para espairecer e, onde me criara, não havia perigo. Mas depois de ser seguida um dia por um homem muito estranho e da minha bolsa quase ser roubada em outro dia, não tive mais paz. O fim de um relacionamento com “o amor da minha vida” também não fez nada bem ao meu coração.

O feriado de Ação de Graças foi para mim um retiro abençoado de volta ao lar.

Mamãe entrou no meu quarto no instante em que deixei cair um grampo de cabelo da penteadeira. Quase nem fez barulho ao tocar no chão, mas eu estava tão tensa que quase pulei de susto. Vi traços de preocupação no rosto dela, mas ela tentou não demonstrar.

- Querida – ela disse – não quer me dar uma mãozinha na cozinha?

Descemos a escada e ela colocou várias cebolas na mesa.

- Mãe, ouvi dizer que se as descascar embaixo d’água não faz arder os olhos.

- Sei, mas isso sempre demora demais – respondeu com cara de quem sabia o que estava fazendo.

Quando começamos a descascar e cortar as cebolas para a deliciosa sopa francesa de cebola da minha mãe, sorrimos apesar das lágrimas. Eu já começava a me sentir melhor quando ela disse.

- Sabe Joyce, de vez em quando faço sopa de cebola. Tenho anos de experiência e sempre fica delicioso. Às vezes, nos dias em que acordo desanimada, pensado em entes queridos que morreram, ou com saudades de vocês, meus filhos, ou quando fico com saudades do meu lar no Céu, visto o meu avental e faço sopa de cebola. É tão bom poder sentar e entregar minhas tristezas e preocupações ao Senhor. Deixo as lágrimas rolarem livremente, e se o papai ou outra pessoa aparecer, dou um grande sorriso e digo, “Não ligue para as lágrimas. Estou fazendo sopa de cebola.” Já fiz ótimas sopas assim, além de passar momentos preciosos entregando tudo que pesava no meu coração a Jesus. Você deveria fazer essa sopa de vez em quando.

Segui o conselho da minha mãe e descobri que, muitas vezes, aquela sopa de cebola era exatamente o que eu precisava quando lutava para reter as lágrimas, enquanto tentava manter um sorriso no rosto. A Bíblia diz, “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar” (Eclesiastes 3:1, 4). O verdadeiro segredo para uma boa sopa é não esquecer de entregar as lágrimas e os temores ao Senhor.

Joyce Suttin é membro da Família Internacional nos EUA.

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