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Pontos de Vista

Passinhos Verdes de Progresso

Joe Johnston
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Certo dia, Joe quebrou o braço. Ele era um traceur*. Adorava a euforia que sentia ao encarar o mundo como uma grande corrida de obstáculos – escalando e saltando, escapando e alcançando. Joe se esforçava em suas corridas, às vezes transpondo carros e muros, às vezes telhados. Às vezes, esforçava-se demais. Destino o observava de longe, de olho no seu fino braço, só esperando uma oportunidade.

Na manhã em que quebrou o braço, Joe foi com uns amigos para uma corrida de treinamento para uma filmagem caseira que estavam fazendo. Poucos movimentos de aquecimento criaram a chance que Destino buscava.

Joe escalou correndo uma mureta, se equilibrou em cima dela por alguns segundos, depois deu um salto. Suas mãos se agarraram a uma barra de ferro à sua frente, uma barra – apoiada por madeiras apodrecidas – que deveria impedi-lo de cair. A madeira cedeu, e Joe caiu para trás.

O chão escorregadio e empoeirado amorteceu a sua queda, mas não foi só isso. Joe se levantou com dificuldade, segurando o braço esquerdo. Seu pulso estava virado para baixo, e depois para cima, formando um “Z.” Alguém chamou uma ambulância enquanto Joe tentava sorrir, procurando ser corajoso – tentou não olhar.

A ambulância chegou e os médicos o diagnosticaram: duas fraturas no rádio e um pulso deslocado.

Joe acordou no hospital com os olhos pesados sob efeito dos sedativos e um gesso que se estendia do pulso ao cotovelo.

Por quatro semanas, Joe tentou se entender com sua incapacidade. Aprendeu a digitar usando apenas a mão boa, a sobreviver sem os banhos diários e a deixar que outras pessoas abotoassem suas camisas, lavassem sua louça e tirassem o lixo.

No fim de um mês, Joe pôde remover o gesso. Finalmente estava livre. Passou dez minutos coçando o braço e uma hora e meia na banheira.

Mas nem tudo havia voltado ao normal. Depois de ficar um mês em desuso, os músculos de seu braço haviam encolhido e atrofiado. Seu braço esquerdo tinha agora a metade da espessura de antes, e sua pele ficara folgada, pendurada feito plástico por cima do osso reparado. Qualquer tentativa, por menor que fosse, de girar ou endireitar o braço provocava uma onda de dor insuportável que tomava todo o seu corpo.

A termoterapia ajudou a liberar os músculos murchados e ele conseguiu girar o seu pulso um pouquinho mais a cada dia. Finalmente, pôde voltar a digitar com ambas as mãos. Finalmente voltou a levantar os braços para louvar o Senhor. Finalmente Jesus disse ao Joe que estava na hora de começar a terapia de fortalecimento.

Depois de um mês no escuro, acumulando teias de aranha em baixo da cama de Joe, o velho altere de 15 Kg voltou ao centro do quarto. Joe fez uma pequena oração por sua segurança, inclinou-se agarrando o peso com a mão esquerda, e tentou levantá-lo. Nada. Ele fez força, começou a suar. Cerrou os dentes e mordeu a língua. Arfou e rosnou ameaças àquela massa de ferro teimosa. O peso só ficou ali parado, rindo da cara dele. Seria preciso usar outras táticas.

Joe pegou emprestado um peso pequenininho da sua irmã (disse que era pra usar como pesa-papéis. Era minúsculo e revestido de plástico verde. Joe se certificou que ninguém o veria levando o objeto ao seu quarto.

Enquanto Joe se esforçava para levantar o “pesa-papéis”, podia imaginar seus amigos rangendo sob o peso de imensos alteres, levantando e empurrando os pesos até não dar mais. Se Joe estivesse forte, estaria com eles. Mas não estava. Na verdade estava fraco de dar dó.

No começo, era muito difícil – mesmo com aquele brinquedinho ridículo – cada vez que o levantava, sentia dor. Mas conforme os dias foram passando e ele foi ignorando a dor no pulso, passou a não sentir mais. Até que conseguiu dominar o brinquedinho verde.

Ele se sentiu tão bem quando acrescentou mais duas argolinhas verdes ao peso. Seus amigos, que descobriram o seu segredo, aplaudiram. Ele não estava forte, e se lembrava disso sempre, mas estava se fortalecendo. Era óbvio o que necessitava ser trabalhado, mas a solução não era se sobrecarregar com expectativas irrealistas, mas sim começar devagar e aumentar aos poucos.

Joe persistiu nas semanas que se passaram até que havia acrescentado todos os pesinhos verdes de sua irmã ao peso e podia levantá-lo como um profissional. A essa altura, podia ver o progresso que estava fazendo. Finalmente estava pronto. Para sua surpresa, o peso de ferro que guardava debaixo da cama se rendeu fácil, fácil, dominado pela sua determinação e pelos passinhos verdes de progresso.

Joe ainda precisa se fortalecer bastante para seu braço voltar ao normal completamente, mas sabe que escrever baladas tristes sobre tudo que antes podia fazer não vai adiantar nada. Em vez disso, mantém com determinação os ouvidos pertos dos lábios do Senhor, o coração determinado a dar cada passo de progresso que Jesus sugerir – por mais bobo ou infantil que pareça. Ele mantém os olhos fixos no Senhor e em Sua força, dos quais sabe que precisa para levantar um único quilo a mais que seja. Ele olha para trás e vê o quanto já progrediu. À frente, vê a recuperação completa que terá alcançado um dia.

E quando esse dia chegar, ora, quem sabe se não vou sair para dar outra corridinha.

Joe Johnston é membro da Família Internacional no México.

*Traceurs ou Traceuses (para mulheres) são praticantes de parkour, uma atividade física – também considerada uma forma de arte – que se concentra em realizar movimentos ininterruptos e eficientes com o objetivo de superar os obstáculos artificiais ou naturais no ambiente do praticante. Esses movimentos podem significar correr, saltar, escalar ou outras técnicas mais complexas. A meta dos praticantes do parkour é adaptarem seus movimentos a qualquer cenário, para que qualquer obstáculo possa ser superado pelas habilidades humanas. (Contribuintes da Wikipedia, “Parkour,” traduzido de Wikipedia, The Free Encyclopedia, http://en.wikipedia.org/wiki/Parkour)

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