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Pontos de Vista

Caminhar nos Seus Sapatos

Curtis Peter Van Gorder
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“Nunca julgue alguém até ter caminhado uma légua em seus sapatos.” Se algum dia existiu alguém que entendia isso, era a Madre Teresa. Depois de quase 30 anos vivendo entre os carentes de Calcutá, na Índia (e ela continuaria ali por mais uns 20 anos), recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1979. Ela iniciou o discurso de recebimento do prêmio com as palavras: “A vida é a vida.” Passou então a explicar que todos os seres humanos são especiais e têm grande valor, independente de quem são, e que somente quando aprendemos a respeitar esse fato é que podemos começar a ajudá-los a melhorar suas vidas.

A maioria das pessoas ficaria feliz em caminhar em sapatos pomposos de grife ou em sapatos atléticos de última geração, mas quantas gostariam de calçar os sapatos de um pobre trabalhador? Quando morava em Uganda, no leste da África, encontrei um par de sapatos descartados que para mim, se tornou um símbolo da África e do seu povo trabalhador e de espírito meigo. O cimento respingado neles não deixava dúvidas de que seu último dono fora um pedreiro – um misturador de cimento humano. Como muitos outros que eu notara ali, sem dúvida ele trabalhava muitos dias no calor sufocante sem proteção alguma, e almoçava apenas uns pedaços de cana-de-açúcar. Ele havia usado aquele par de sapatos até os buracos nas solas ficarem tão grandes que o impediam de cumprir sua função. Quando não restava motivo para usá-los nem mais um dia, ele os deixou ali, jogados, para que eu os encontrasse. É claro que isso não era a sua intenção, mas aqueles sapatos colocaram em perspectiva os meus problemas tão insignificantes. Não, eu não caminhei uma légua naqueles sapatos; nem sequer os experimentei. Olhar para eles bastou para me fazer apreciar as minhas muitas bênçãos, que incluíam os sapatos casuais e confortáveis que costumo usar.

Pouco tempo depois, quando um homem bateu à minha porta pedindo ajuda, não me restava dúvidas. Ele ganhara uma bolsa para uma escola interna, mas havia um requerimento que não conseguiu cumprir – ele não tinha sapatos. Ele perguntou se eu não tinha um par sobrando que pudesse lhe dar. O par que usava no momento serviram muito bem nele, e assim ficou resolvido. Não, um simples ato de gentileza não faz de mim um santo à altura da Madre Tereza, mas acredito que naquele momento, senti dentro de mim uma amostra do que a motivou a persistir naquilo que fez por tantos anos: “O amor de Cristo nos impele” (2 Coríntios 5:14).

Curtis Peter Van Gorder é membro da Família Internacional no Oriente Médio.

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