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Um valioso legado cristão


"A minha mãe foi sem dúvida a pessoa que mais me influenciou nesta vida, e contribuiu para fazer de mim o que sou hoje."

David disse muitas vezes que o valioso legado que recebeu desempenhou um papel-chave em moldar o seu caráter e convicções religiosas. Muitos de seus antepassados, inclusive seus pais, eram cristãos totalmente dedicados, que enfrentaram com ousadia o sistema de sua época.

Seus antepassados por parte de mãe eram judeus alemães que se converteram ao cristianismo em meados do século XVIII. Subseqüentemente, uniram-se aos Dunkards, um ramo radical da Igreja Luterana, que veio a ser conhecido mais tarde como a Igreja da Fraternidade. A perseguição governamental contra a seita logo levou a família Brandt a imigrar para os Estados Unidos, onde estabeleceu residência na Pensilvânia e em Ohio, por volta de 1750.

O Dr. John Lincoln Brandt, avô de David, uma pessoa inicialmente desinteressada na religião da família, teve uma conversão dramática aos vinte e poucos anos, e imediatamente começou a participar do serviço cristão a tempo integral. Por anos foi um pastor metodista itinerante, tornando-se mais tarde líder proeminente no movimento de Alexander Campbell, Disciples of Christ (Discípulos de Cristo), um grupo de cisão freqüentemente em conflito com as denominações de sua época. David escreveu o seguinte a respeito de seu avô Brandt:

Eu o admirava muitíssimo; ele era um verdadeiro herói para mim. Era um homem verdadeiramente grandioso que amava muito o Senhor e sobreviveu a muitas vicissitudes da vida. Ele teve um grande passado e um currículo fabuloso. Construiu 50 igrejas, ganhou milhares para o Senhor, e graças a ele mais de 400 pessoas se ofereceram voluntariamente para o ministério religioso. [1]

Virginia Brandt Berg, mãe de David, foi a pessoa que, segundo ele, mais o influenciou. Mais tarde em sua vida, David declarou:

A minha mãe foi sem dúvida a pessoa que mais me influenciou nesta vida, e contribuiu para fazer de mim o que sou hoje. [2]

Desde que me entendo por gente, minha mãe só me ensinava a Bíblia, me falava sobre o Senhor e sobre os verdadeiros valores espirituais. Ela estava apaixonada por Jesus, graças a Deus, e incutiu esse amor em mim. [3]

Ela era uma evangelista (...) Estava sempre testemunhando onde quer que estivesse, no trem, nos restaurantes, em qualquer lugar. Eu me lembro de a ver sempre falando com as pessoas sobre o Senhor. [4]

Apesar de ter sido criada num lar cristão, durante os anos de faculdade Virginia tornou-se atéia e uma desregrada garota de sociedade. Desesperada com a vida frívola que levava, dedicou-se a uma obra social. Entretanto, logo após o nascimento de seu primeiro filho, quebrou a espinha em um acidente, e passou cinco anos entrevada numa cama, muitas vezes à beira da morte. Foi então que ela se converteu, recuperou-se milagrosamente do leito de morte, e passou o resto de sua vida trabalhando ativamente ao lado do marido, Hjalmer, em serviço cristão como pastora e evangelista.

Virginia e Hjalmer estavam acostumados com polêmicas. Foram expulsos da Christian Church, depois de darem testemunho público de como Deus a tinha curado, o que era contrário à doutrina dessa igreja. Como conseqüência, uniram-se a uma nova denominação, a Aliança Missionária Cristã, em 1919, logo depois do nascimento de David. Com o passar dos anos, o seu fervor missionário e desdém pela politicagem religiosa muitas vezes os fazia divergir da facção conservadora da hierarquia dessa denominação, levando-os a trabalhar grande parte do tempo como pastores e evangelistas desvinculados de denominações. David relataria o seguinte anos depois:

Os meus pais eram rebeldes, revolucionários, foram expulsos de sua igreja, eram marginais (...) segundo a opinião da igreja (...) Apesar de seguirem as formalidades e cerimônias da igreja e dentro dos edifícios de igreja, muitas vezes eles também faziam reuniões fora desses edifícios, e eram bem radicais (...) aos olhos da igreja. [5]

David passou os primeiros anos de sua vida viajando com os pais que se dedicavam fervorosamente à sua missão evangelística. Em 1924 estabeleceram-se em Miami, Flórida, depois que Virginia conduziu, com grande êxito, uma série de grandes reavivamentos no Tabernáculo do Evangelho de Miami. Essa cidade tornou-se o lar de David nos 14 anos que se seguiram, período em que seus pais pastorearam diversas igrejas em Miami.

Ele mais tarde descreve a sua infância e adolescência com os dois irmãos mais velhos:

O Senhor exerceu a maior influência sobre nós através dos ensinamentos de nossos professores e pais. (...) Os professores da escola dominical liam a Bíblia para nós e contavam-nos histórias da Bíblia, e eu as adorava e acreditava nelas. Tenho certeza que isso tudo teve uma grande influência na minha vida (...) porque eu realmente sabia que era Deus e a voz de Deus, que era o Livro de Deus! [6]

Dou graças a Deus por ter passado anos vivendo por fé com os meus pais. Eles me deram um alicerce maravilhosíssimo na vida de fé! [7]

Como acontece com muitos pastores e seus familiares, a família Berg dependia inteiramente da generosidade da congregação para o seu sustento, e muitas vezes enfrentavam dificuldades para conseguir subsistir. Isso criou em David o hábito de levar uma vida simples, algo que ele carregou consigo toda a sua vida, encorajando os seus seguidores a cultivarem igualmente esse hábito. Ele escreveu:

Uma coisa que eu detesto é ver as pessoas desperdiçarem o dinheiro de Deus! Isso se deve em parte ao fato de eu ter sido criado durante a Depressão. Fez parte da minha formação para criar em nós o hábito de não desperdiçar dinheiro. Não me importo de viver bem; podemos viver confortavelmente, de maneira conveniente e segura e ter o suficiente, mas eu não sou esbanjador nem extravagante. Muito pelo contrário, até sou pão-duro! [8]

No final da década de 30, Virginia Berg voltou ao seu ministério favorito que era o trabalho evangelístico itinerante. David a acompanhou, e a maior parte dos dez anos seguintes trabalhou como motorista de sua mãe, principal figura do coral e assessor. Ele acreditava piamente que a vocação de Deus para ele na ocasião era ajudar a mãe no seu trabalho evangelístico. Em relação a essa época ele mencionou mais tarde:

Desde os meus 16 anos até quase aos 30 -- até mesmo nos meus primeiros cinco anos de casado -- as mensagens, sermões e testemunhos da minha mãe foram a maior influência [na minha vida]. [9]